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Escola no Porto in (Arquitectos e Engenheiros da Utopia)

Sala-de-aula-luminosa

O projeto de arquitetura
Recentemente tivemos a oportunidade extraordinária de desenhar e licenciar uma escola no Porto. No fundo tratava-se de planear o crescimento de uma creche e infantário e sua ampliação para albergar o 1º ciclo do ensino básico.
Do ponto de vista arquitetónico, trata-se de fundir duas casas unifamiliares e ampliar a construção com um novo corpo. Ou seja, fazer a reabilitação de uma parte das construções e contruir de raiz uma outra parte. Obviamente, era também fundamental dar uma coerência ao conjunto constituído por espaços distintos. Havia assim que redesenhar também o jardim e garantir que este estava presente em todos os espaços da escola. Ao mesmo tempo, havia que ter em conta um rigoroso controlo de custos de modo a garantir a sustentabilidade futura do investimento.

O desafio de desenhar para crianças
Este foi possivelmente um dos maiores desafios que tivemos enquanto arquitetos. Mas o maior desafio não vinha das questões técnicas, arquitetónicas, regulamentares ou económicas. O maior desafio vinha do facto de acharmos que tínhamos a obrigação de desenhar para crianças.
Quem educa ou ensina, quem tem filhos ou quem convive habitualmente com crianças sabe que este tema é fundamental e uma tarefa nunca acabada. Então pusemos a questão: como desenhar para crianças?

Desenhar como quem escreve para crianças
José Saramago a propósito de “A maior flor do mundo” lamentava-se de não conseguir escrever histórias infantis pois “as histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças sendo pequenas sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas”.  Mia Couto a propósito do “Gato e o escuro” diz que não escreve para crianças mas antes “para a criança que há em cada um de nós”. Sophia de Mello Breyner Andresen conta a propósito do seu trabalho para crianças que só começou a escrever histórias infantis porque os seus filhos “tiveram sarampo e tinham de estar quietos”. E acrescenta que ficava “irritada com as histórias que lia” e passou a criar outras “a partir de factos e lugares” da sua infância. Sinceramente, esta escola acaba por ser desenhada com múltiplas abordagens mas com muitas destas perguntas e respostas na mente.

Uma arquitetura para crianças
Pensamos então nos desenhos das crianças e na simbologia do conceito de escola ou casa que elas partilham connosco sempre. Na realidade, por mais modernidade que surja, as crianças continuam a desenhar telhados e a pintar árvores e flores ao lado.
Era isso! Tínhamos de desenhar casas! Tínhamos de desenhar um bairro inteiro delas se fosse preciso! Além do mais a escola chama-se: Casa do Cuco!

Uma casa para aprender
No fundo a escola é apenas uma casa onde se aprende. Mas havia que desenhar essa casa como as crianças desenham, de modo simples, elegante e com o traço rigoroso e certeiro. Um traço que por vezes contem até algum minimalismo. Sim, era essa a modernidade que queríamos. E o jardim havia que entrar por todas as salas de aula! Que maravilhoso deveria ser poder aprender debaixo de uma sala de aula que nos lembra um desenho com telhado! E as janelas tinham de ter a altura das crianças e não como sempre acontece a altura gigantesca dos adultos! Esta tinha assim de ser a arquitetura das crianças.

O projeto segue o conceito naturalmente
Há momentos em que nós arquitetos percebemos que se o rumo estiver certo o desenho flui naturalmente. E foi isso que aconteceu, solidificado o conceito, a maquete, as plantas, os alçados, os materiais e as cores são apenas o reflexo dessa escola para crianças. No final, a escola surge-nos como se composta por momentos distintos que geram uma coerência de conjunto. No fundo é uma escola feita de modernidade e tradição tal como o paradigma daquilo que para nós deve ser uma escola.

Uma imagem ou mil palavras…
Mas o melhor é ver imagens, pois como escreve Saint-Exupéry no Principezinho: “As pessoas crescida têm sempre necessidade de explicações…Nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações”.

 

Reabilitação e ampliação de escola no Porto

 

Arquitetura moderna e tradicional
Arquitetura para crianças
Uma escola como uma casa
Uma escola integrada num jardim
Uma sala de aula com conforto
Aprender junto à natureza
Espaços simples e funcionais
O interior da escola com o conforto de uma casa
Uma sala de aula luminosa

in ARQUITECTOS E ENGENHEIROS DA UTOPIA (31/12/15)

www.facebook.com/arquitetos.utopia

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CONCURSO NACIONAL DE PME ECOLÓGICAS: ANJE DISTINGUE TRÊS ORGANIZAÇÕES SUSTENTÁVEIS

PME ECOLÓGICAS
A Casa do Cuco, a Riluc e a Alascod são, por esta ordem de classificação, as três PME distinguidas pela ANJE, no âmbito do Concurso Nacional de PME Ecológicas. Enquadrada no Less is More, projeto levado a cabo pela associação para sensibilizar a comunidade empresarial sobre a importância dos índices de eficiência energética e de sustentabilidade ambiental, a competição permitiu reconhecer as melhores práticas empresariais em matéria de desenvolvimento sustentável.
Baseado num processo analítico exaustivo, o Concurso Nacional de PME Ecológicas apresentou um intenso programa de atividades preparatórias com enfoque nos conceitos Reduzir, Reutilizar, Reciclar. Para isso, os projetos participantes foram submetidos a três etapas principais que permitiram otimizar a respetiva pegada ecológica.
Após a fase inicial de divulgação informativa e angariação de organizações durante a campanha de sensibilização do concurso, seguiu-se a seleção do conjunto de 12 finalistas (distribuídos pelas regiões Norte, Centro e Alentejo). As PME escolhidas avançaram, posteriormente, para sessões de trabalho dedicadas ao cálculo da respetiva pegada ecológica e para a implementação de medidas responsáveis por potenciar o consumo (e a utilização) eficiente de bens.
No final, e após três meses de aplicação de medidas corretivas, a Casa do Cuco, a Riluc e a Alascod arrecadaram a distinção no concurso, devido às reduções significativas apresentadas nos seus níveis de impacto ambiental. Resta acrescentar que o projeto Less is More conta com o apoio do COMPETE – Programa Operacional Fatores de Competitividade.
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